Venâncio da Costa Lima
Seis moscatéis da Venâncio da Costa Lima estão entre os melhores do mundo no Muscats du Monde. Não é uma afirmação de marketing. É um veredicto pronunciado por um júri internacional de especialistas que prova, às cegas, moscateis de todas as latitudes. Quando o painel retira as vendas, o que fica é apenas o vinho – e o vinho falou por si. Mas o que torna um moscatel de Setúbal irrepetível? A resposta não está num rótulo nem numa medalha. Está no saber e na geografia que demorou um século a revelar o seu potencial.
Setúbal não é apenas um nome de origem protegida. É um conjunto de condições físicas que, quando reunidas, produzem algo que os ampelógrafos descrevem com dificuldade e os provadores reconhecem imediatamente. As nossas vinhas de Moscatel Graúdo crescem em solos de argila e calcário, expostos a uma influência atlântica moderada pelo estuário do Sado. A amplitude térmica entre o dia e a noite preserva a acidez natural da uva; a humidade do estuário atrasa a maturação de forma que nenhuma câmara de temperatura controlada consegue simular. O resultado é uma uva que chega à vindima com uma concentração de açúcares e aromas que seria impossível obter em climas mais quentes ou em solos mais pobres. O Moscatel Graúdo — a casta rainha de Setúbal, distinta do Moscatel de Alexandria cultivado noutras regiões — tem uma expressão floral e cítrica de rara delicadeza. É esta casta, neste solo, neste microclima, que está na origem dos cinco vinhos que o Muscats du Monde distinguiu.
O Muscats du Monde é um concurso internacional especializado, dedicado exclusivamente a vinhos de moscatel. Não é um concurso generalista onde um painel julga centenas de categorias em dois dias. É uma prova focada, conduzida por especialistas que conhecem o perfil aromático, a estrutura e o potencial de envelhecimento destes vinhos com uma profundidade pouco comum em concursos mais abrangentes. Ser eleito entre os melhores do mundo neste contexto é, portanto, uma avaliação feita por quem sabe exactamente o que está a julgar. Não há efeito de surpresa nem generosidade sazonal. Há um padrão técnico exigente — e os nossos moscateis corresponderam-lhe cinco vezes.
Um aspecto que distingue os grandes moscateis de Setúbal dos seus congéneres mundiais é a sua capacidade de envelhecimento. Enquanto muitos vinhos doces são concebidos para consumo imediato, o moscatel desta região tem uma estrutura que evolui durante décadas. A oxidação lenta em vasilha de madeira — um processo que trabalhamos com a mesma atenção com que se trabalha uma matéria-prima rara — transforma a frescura floral da uva jovem em camadas de mel de rosmaninho, laranja confitada, notas de tostado e uma persistência que fica bem depois de o copo estar vazio. É esta longevidade que faz com que os nossos moscateis mais velhos não sejam simplesmente vinhos antigos — são vinhos que melhoraram com o tempo, que ganharam complexidade sem perderem identidade. Uma raridade no panorama mundial dos vinhos doces.
Durante décadas, o moscatel de Setúbal foi o segredo mais bem guardado da viticultura portuguesa. Reconhecido por especialistas, pouco divulgado fora de fronteiras. Esse silêncio está a terminar — e distinções como as do Muscats du Monde são parte da razão.
Os winelovers mais curiosos, os que procuram além dos grandes nomes de Bordéus ou do Douro, estão a encontrar em Setúbal algo que o mercado global raramente oferece: uma casta nobre, uma região com carácter próprio, e uma tradição de produção que não imita ninguém. Num mercado saturado de moscateis produzidos para agradar de imediato, os moscateis da Venâncio da Costa Lima propõem outra coisa — a complexidade que exige atenção e recompensa quem a dá.
As seis medalhas do Muscats du Monde não são o fim desta história. São, para quem ainda não conhece os nossos vinhos, o melhor motivo para começar. Descubra os moscateis premiados em
www.venanciodacostalima.wine — e perceba, da única forma que conta, o que os distingue.
Est 1914